O reajuste ainda não é definitivo, mas avançou após debate entre vereadores, sindicato e governo municipal.
Câmara de Itabira aprovou em primeiro turno, nesta terça-feira (5), o Projeto de Lei 32/2026, que prevê reajuste de 3,9% para os servidores públicos municipais. A proposta é de autoria do governo do prefeito Marco Antônio Lage e ainda precisa passar por uma segunda votação antes de seguir para sanção do Executivo.
Se confirmada em segundo turno, a revisão salarial deverá ser aplicada a partir do próximo mês, com pagamento retroativo a março de 2026. O índice aprovado corresponde a 3,9% e foi tratado, durante a votação, como forma de garantir ao menos uma correção imediata aos servidores neste ano.
A votação ocorreu após a tramitação do projeto ter sido interrompida na semana anterior por um pedido de vistas. O tema vinha sendo acompanhado de perto por servidores municipais, pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Itabira, o Sintsepmi, e pelos vereadores.
Projeto avançou após semanas de mobilização
Antes da votação em plenário, servidores municipais realizaram mobilizações e buscaram diálogo com o Legislativo e o Executivo. A discussão sobre o reajuste salarial vinha sendo marcada pela cobrança de uma proposta considerada mais adequada pela categoria.
Também foi criada uma mesa permanente de negociação entre a Prefeitura de Itabira e representantes dos servidores. A expectativa é que esse espaço continue aberto para tratar de possíveis avanços, mesmo após a aprovação do projeto em primeiro turno.
Durante a sessão, parte dos vereadores defendeu a retirada do projeto de pauta. Luiz Carlos de Souza, Jordana Madeira, Heraldo Noronha e Cidnei Camilo Rabelo, conhecido como Didi do Caldo de Cana, se posicionaram por essa alternativa.
Como não houve maioria para impedir a continuidade da tramitação, o projeto seguiu para votação e acabou aprovado em primeiro turno.
Maioria entendeu que rejeitar o texto poderia deixar servidores sem reajuste
Um dos pontos centrais do debate foi o risco de os servidores ficarem sem qualquer reajuste em 2026 caso o projeto fosse rejeitado.
Durante a discussão em plenário, prevaleceu entre a maioria dos parlamentares o entendimento de que votar contra a proposta poderia impedir a apresentação de um novo projeto de revisão salarial ainda neste ano.
Na prática, segundo esse entendimento apresentado durante a sessão, uma rejeição poderia adiar qualquer correção salarial apenas para 2027.
Com esse argumento, vereadores defenderam a aprovação do texto como forma de garantir ao menos uma reposição imediata, mesmo sem atender integralmente às reivindicações da categoria.
A posição de parte do Legislativo foi de que o projeto não encerraria o debate, mas garantiria um reajuste mínimo enquanto as negociações continuam por meio da mesa permanente.
Sindicato critica índice aprovado
Apesar da aprovação, o Sintsepmi demonstrou insatisfação com o resultado da votação. A presidente da entidade, Graziele Vieira Cachapuz, criticou o percentual aprovado e afirmou que o índice representa apenas reposição inflacionária, sem ganho real para os servidores.
Para o sindicato, a Câmara poderia ter rejeitado o texto como forma de pressionar o Executivo a apresentar uma proposta melhor.
A entidade também informou que apresentou contraproposta durante as negociações. Entre os pontos defendidos estavam a reposição pelo IPCA, estimada em 4,26%, e a possibilidade de escalonamento para alcançar um reajuste maior ao longo do tempo.
Segundo a presidente do Sintsepmi, o Executivo não foi favorável aos termos apresentados pela categoria. O sindicato afirma que segue aberto ao diálogo e à construção de uma proposta que contemple melhor os servidores municipais.
Reajuste ainda depende de segunda votação
Como o projeto foi aprovado apenas em primeiro turno, o reajuste de 3,9% ainda não está definitivamente confirmado. A proposta precisa passar por nova votação na Câmara Municipal de Itabira.
Somente depois da aprovação em segundo turno o texto poderá seguir para sanção do Executivo.
Até lá, o tema deve continuar movimentando os bastidores políticos e administrativos do município. A categoria ainda cobra avanços, enquanto vereadores defendem a continuidade das negociações.
O reajuste dos servidores públicos de Itabira é um tema sensível porque envolve diretamente o funcionalismo, o orçamento municipal e a capacidade do governo de atender reivindicações salariais sem comprometer outras despesas da administração.
Para os servidores, a discussão não se resume ao percentual aprovado. O ponto principal é a busca por valorização salarial e recuperação do poder de compra.
Para o governo e parte dos vereadores, a aprovação em primeiro turno foi tratada como uma forma de garantir uma correção imediata e evitar que a categoria ficasse sem reajuste neste ano.
A decisão final, no entanto, ainda depende da segunda votação.






































































