O Ministério Público de Minas Gerais abriu investigação contra um vereador de Itabira após denúncias de abuso de autoridade e perseguição a servidoras públicas durante fiscalizações em unidades de saúde.
O procedimento apura a conduta do parlamentar Luiz Carlos de Souza, conhecido como “Luiz Carlos de Ipoema”, diante de uma série de episódios registrados ao longo de 2025.
Segundo o Ministério Público, há indícios de um padrão de comportamento considerado abusivo, com abordagens intimidatórias, filmagens sem autorização e divulgação de conteúdos nas redes sociais envolvendo servidores municipais.
Casos motivaram abertura de investigação
A investigação reúne ao menos quatro episódios distintos registrados em unidades de saúde e serviços públicos de Itabira.
Em um dos casos, ocorrido no distrito de Ipoema, o vereador entrou em uma unidade e acusou uma servidora de abandono de função. Durante a abordagem, ele realizou filmagens sem autorização e divulgou o conteúdo posteriormente.
De acordo com o Ministério Público, o vídeo publicado teria sido editado, retirando trechos que defendiam a profissional. A situação gerou repercussão e comentários ofensivos contra a servidora.
Acusações e exposição em redes sociais
Outro episódio envolve uma enfermeira que realizava atendimento domiciliar dentro das normas do SUS. A profissional foi alvo de críticas após a divulgação de um vídeo que questionava o atendimento.
Segundo o Ministério Público, o vereador reforçou as acusações sem ouvir a versão da servidora.
Em outra situação, o parlamentar gravou imagens em um hospital da cidade ao lado de uma paciente, expondo críticas à estrutura e ao atendimento da unidade.
Tentativa de fiscalização gerou conflito
Um quarto caso ocorreu em um centro de reabilitação de Itabira, onde o vereador tentou realizar uma fiscalização sem autorização formal.
Servidoras informaram que seria necessário seguir procedimentos administrativos, como agendamento e envio de ofício. Mesmo assim, houve insistência na entrada e registro de imagens no local.
A situação gerou tensão, e o parlamentar chegou a acionar a Polícia Militar durante o episódio.
Ministério Público aponta possíveis irregularidades
Na análise inicial, o Ministério Público destacou que a atuação parlamentar possui limites legais e não permite ações individuais fora dos procedimentos institucionais.
O órgão aponta possíveis infrações como abuso de autoridade, constrangimento ilegal e desacato.
Além disso, a investigação considera a hipótese de improbidade administrativa, caso seja comprovado uso do cargo para exposição indevida de servidores.
Câmara pode abrir processo disciplinar
O Ministério Público também notificou a Câmara Municipal de Itabira para informar sobre a existência de comissão de ética e avaliar a abertura de procedimento contra o vereador.
Caso isso ocorra, testemunhas e servidoras deverão ser ouvidas.
Polícia Civil também vai investigar
Além do inquérito civil, o Ministério Público solicitou a abertura de investigação criminal pela Polícia Civil.
A apuração inclui análise de vídeos publicados nas redes sociais, depoimentos das vítimas e possíveis testemunhas.
Vereador terá prazo para se defender
O vereador será notificado e terá prazo de 15 dias para apresentar defesa por escrito.
As servidoras envolvidas também serão ouvidas e poderão apresentar provas sobre os episódios relatados.
Investigação segue em andamento
O Ministério Público estabeleceu prazo inicial de 90 dias para conclusão das diligências.
Ao final desse período, o órgão deverá reavaliar o caso com base nas provas coletadas.
O caso segue em investigação.





































































