Política em Itabira ganhou um novo capítulo com críticas de Bernardo Mucida ao prefeito Marco Antônio Lage.
O ex-deputado estadual Bernardo Mucida fez críticas duras ao governo municipal e voltou a falar sobre o rompimento político com o prefeito Marco Antônio Lage. Na fala, Mucida afirmou que o ponto central da divergência não seria apenas uma questão eleitoral ou pessoal, mas o que ele chamou de “traição ao projeto da cidade”.
O posicionamento aumenta a temperatura nos bastidores da política local e coloca novamente em discussão a relação entre antigos aliados, o futuro político de Itabira e a capacidade de articulação do município junto ao Governo de Minas.
Mucida disse que a situação não deve ser vista como uma traição a uma candidatura específica. Segundo ele, o problema estaria ligado ao projeto político que vinha sendo construído para Itabira.
“Não é uma traição ao candidato ou à candidatura do Bernardo Mucida”, afirmou. “É uma traição ao projeto da cidade.”
A fala mira diretamente o campo político do prefeito Marco Antônio Lage, mas também precisa ser lida dentro do cenário de movimentações para 2026. Itabira vive um momento de reorganização de grupos, rompimentos, aproximações e busca por espaço regional.
Críticas à gestão municipal
Mucida afirmou estar decepcionado com o governo municipal. Um dos pontos centrais da crítica foi a arrecadação da cidade nos últimos anos.
Segundo ele, Itabira teria arrecadado mais de R$ 5 bilhões, chegando perto de R$ 6 bilhões, sem conseguir entregar um projeto estruturante capaz de marcar a administração.
A declaração atinge uma das principais cobranças feitas sobre qualquer governo municipal em Itabira: o uso dos recursos públicos em uma cidade que depende fortemente da mineração e que precisa se preparar para o futuro.
Na avaliação de Mucida, a gestão não conseguiu transformar a arrecadação em entregas de grande impacto.
Ele também citou o Itabira Sustentável, programa apresentado pela Prefeitura como uma estratégia para pensar o futuro da cidade. Mucida classificou a iniciativa como uma “peça de propaganda” e afirmou que não vê resultados concretos até agora.
A crítica é politicamente sensível porque o Itabira Sustentável aparece, há anos, como uma das principais bandeiras institucionais do governo municipal. Ao questionar o programa, Mucida tenta deslocar o debate da disputa pessoal para a discussão sobre planejamento, legado e futuro econômico da cidade.
Relação política fora de Itabira
Outro ponto forte da fala foi a acusação de isolamento político. Mucida afirmou que o prefeito estaria perdendo força na cidade, na região e também junto a lideranças estaduais.
Segundo ele, Itabira teria uma importância política, econômica e regional que exige mais articulação de seu prefeito. Mucida disse que a cidade precisa ser representada com peso proporcional à sua história, à sua arrecadação e ao seu papel em Minas Gerais.
Na avaliação dele, esse espaço estaria sendo reduzido.
Mucida chegou a dizer que o prefeito estaria “desacreditado” entre políticos do Estado e que dependeria da intermediação de vereadores ou deputados para conseguir agendas no Governo de Minas.
A afirmação é grave do ponto de vista político, mas aparece como posição de Mucida dentro de um embate entre grupos que já caminharam juntos e hoje estão em lados diferentes.
O prefeito Marco Antônio Lage não se manifestou dentro do material analisado. O espaço segue aberto para eventual posicionamento.
Rompimentos citados por Mucida
Durante a fala, Mucida também citou outros nomes da política local e afirmou que o rompimento não teria ocorrido apenas com ele.
Ele mencionou João Izael, Gabriel Quintão, Danilo Alvarenga e Geraldo Torrinha como exemplos de atores que, segundo sua avaliação, também teriam vivido afastamentos ou desgastes dentro do grupo político ligado ao governo.
A citação amplia o alcance da crítica. Em vez de tratar o episódio como uma divergência isolada, Mucida tenta apresentar a situação como um padrão de ruptura política dentro do campo que ajudou a eleger e sustentar o projeto municipal.
Entre os nomes citados, há figuras com peso em diferentes momentos da política itabirana. Danilo Alvarenga e Geraldo Torrinha, por exemplo, passaram pela Secretaria de Governo. João Izael também tem histórico de influência política em Itabira.
Ao trazer esses nomes para a fala, Mucida busca reforçar a tese de que o problema seria maior que a relação entre ele e o prefeito.
Disputa entra no radar de 2026
A crítica também precisa ser observada no contexto eleitoral. Em Itabira, as movimentações para 2026 já começaram a ganhar corpo, principalmente em torno de possíveis candidaturas a deputado estadual e federal.
Mucida afirma que, em 2022, a falta de apoio à sua reeleição não representou apenas uma perda pessoal. Para ele, a decisão teria prejudicado um projeto maior de representação política da cidade.
Essa leitura dialoga com uma preocupação antiga em Itabira: a dificuldade de manter representantes fortes nos espaços de decisão em Belo Horizonte e Brasília.
Para uma cidade mineradora, com demandas por infraestrutura, diversificação econômica, saúde regional, estradas, meio ambiente e compensações ligadas à atividade mineral, a representação política costuma ser tratada como peça estratégica.
Por isso, a fala de Mucida não se limita a uma cobrança contra o prefeito. Ela também tenta disputar a narrativa sobre quem tem mais capacidade de representar Itabira fora do município.
Embate exige cuidado do eleitor
O tom da fala é duro, mas o eleitor precisa separar crítica política de fato comprovado.
Mucida apresenta uma avaliação negativa sobre o governo e sobre a articulação do prefeito. Do outro lado, cabe ao governo municipal apresentar resultados, explicar sua visão e responder às críticas, caso entenda necessário.
Para o morador de Itabira, o ponto mais importante não é apenas quem rompeu com quem. A questão central é saber se a cidade está conseguindo transformar arrecadação, influência política e planejamento em entregas reais.
A disputa entre lideranças pode render manchetes, vídeos e declarações fortes. Mas o que pesa para Itabira é o resultado prático: obras, serviços, empregos, preparação para o pós-mineração, articulação regional e presença política onde as decisões são tomadas.
O novo capítulo mostra que a política local deve continuar movimentada nos próximos meses. E, com 2026 se aproximando, cada declaração tende a funcionar também como posicionamento para a próxima disputa eleitoral.




































































