Duplicação das MG-129 e MG-434 em Itabira voltou ao centro do debate político nesta semana após um novo embate público entre o prefeito Marco Antônio Lage e o governador em exercício de Minas Gerais, Mateus Simões. O assunto ganhou força depois que Simões afirmou que as conversas sobre a obra ficaram suspensas por causa de uma mudança de postura da Prefeitura de Itabira.
A resposta do prefeito veio pouco depois, em vídeo divulgado nas redes sociais. Marco Lage contestou diretamente a versão apresentada pelo governador e disse que o entrave não foi criado pelo município, mas sim pelo próprio Governo de Minas. Segundo ele, a proposta inicial era focada exclusivamente na duplicação das rodovias MG-129 e MG-434, trecho considerado estratégico para a ligação de Itabira ao trevo da BR-381 e, consequentemente, à Região Metropolitana de Belo Horizonte.
De acordo com as declarações atribuídas a Mateus Simões, havia conversas avançadas com a Vale, mas o formato das negociações teria sido alterado pela prefeitura, o que teria esfriado o andamento das tratativas. Na visão do governador, conflitos políticos e institucionais acabam dificultando a construção de soluções de infraestrutura que dependem de articulação entre diferentes entes.
Marco Lage, porém, apresentou uma versão oposta. Segundo o prefeito, foram realizadas pelo menos seis reuniões sobre o tema, com participação de representantes do Estado e também do ex-governador Romeu Zema. Ele afirmou que, em vez de manter o foco no trecho de interesse direto para Itabira, o governo estadual ampliou o escopo da proposta para incluir outras rodovias, o que teria tornado o projeto mais complexo e dificultado seu avanço.
Outro ponto levantado pelo chefe do Executivo itabirano foi o modelo de financiamento. Marco Lage declarou que a Prefeitura de Itabira e a Vale já haviam demonstrado disposição para aportar recursos na obra, com cada parte arcando com cerca de um terço do valor total estimado, superior a R$ 300 milhões. Segundo ele, justamente a participação do Governo de Minas é que ainda não estaria assegurada, o que ajudaria a explicar por que o projeto continua sem sair do papel.
A discussão, no entanto, não ficou restrita à duplicação das estradas. Durante a resposta a Mateus Simões, Marco Lage também comentou declarações do governador sobre a mineração em Minas Gerais. Simões defendeu uma relação de parceria com as mineradoras, desde que respeitadas as regras ambientais. Já o prefeito de Itabira concordou apenas em parte e argumentou que o debate sobre mineração precisa envolver outros temas, como direitos trabalhistas, royalties e os impactos da Lei Kandir sobre a arrecadação.
Mesmo adotando um tom de crítica, Marco Lage disse que a Prefeitura de Itabira mantém diálogo com a Vale e citou iniciativas como o programa Itabira Sustentável como exemplo de articulação em território minerado. Ao mesmo tempo, ele sinalizou que segue aberto a retomar as conversas com o Governo de Minas para tentar viabilizar a duplicação. A fala indica que, apesar do choque de versões, o tema ainda pode voltar à mesa de negociação.
A duplicação das MG-129 e MG-434 não é uma demanda nova. O projeto é tratado como prioridade antiga por lideranças políticas e por setores da sociedade de Itabira, especialmente pela importância logística e econômica do corredor viário. Em 2019, ainda na gestão do ex-prefeito Ronaldo Lage Magalhães, foi firmado convênio com o DER-MG para elaboração do projeto executivo. Depois disso, novas reuniões ocorreram a partir de 2021, já sob a gestão de Marco Antônio Lage.
Naquele período, houve expectativa de que o projeto executivo pudesse ser licitado e avançar ao longo de 2022, abrindo caminho para que as obras fossem iniciadas posteriormente, desde que houvesse viabilização financeira. Em 2023, porém, Romeu Zema sinalizou que a duplicação não seria bancada com recursos estaduais, o que reforçou a ideia de uma parceria público-privada com participação da Vale. Desde então, o projeto segue cercado por promessas, reuniões e cobranças, mas sem início efetivo das obras.
O novo capítulo do impasse escancara um problema que a população de Itabira já conhece há anos: a duplicação das MG-129 e MG-434 é tratada como fundamental para o futuro da cidade, mas continua travada entre divergências políticas, indefinição sobre financiamento e mudanças de rumo nas negociações. Enquanto isso, moradores e motoristas seguem aguardando uma solução concreta para um trecho considerado decisivo para a mobilidade, a segurança viária e o desenvolvimento regional.






































































