Prefeito Li Guerra é um nome que muita gente em Itabira conhece antes mesmo de lembrar quem foi a pessoa por trás da homenagem. A avenida que leva seu nome corta uma parte importante do bairro Praia, aparece em endereços residenciais, comerciais e institucionais, e segue muito presente na rotina de quem mora ou circula pela região. Só que, antes de virar referência urbana, Li Guerra construiu uma trajetória política e empresarial que deixou marca forte na cidade e no Médio Piracicaba.
Li Guerra era o apelido de Olímpio Pires Guerra, nascido em Santa Maria de Itabira em 10 de junho de 1933, filho de Dácio Martins Guerra e Regina Pires Guerra. Ele chegou ainda menino a Itabira, quando a família se mudou para a cidade no começo da era Vale, em 1942. Em depoimento ao Museu da Pessoa, ele relembra essa mudança como um divisor de águas da vida da família, já diretamente ligada ao movimento econômico que transformava Itabira naquele período.
Antes de entrar de vez na política, Li Guerra construiu seu nome no comércio e no associativismo. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais registra que ele iniciou a carreira empresarial com um posto de combustíveis, depois criou a concessionária Pires e Alvarenga e ainda presidiu o Clube Atlético Itabirano, o Valério e a Acita. Esse caminho ajuda a entender por que ele chegou à política com uma imagem de liderança já consolidada no setor produtivo e na vida pública local.
A entrada na política não foi um passo isolado. No próprio relato ao Museu da Pessoa, Li Guerra conta que se envolveu mais profundamente com o futuro de Itabira quando passou a discutir, dentro da Associação Comercial, o que seria da cidade depois da mineração. Dessa preocupação nasceu uma atuação mais direta na defesa da diversificação econômica, tema que continuaria ligado ao seu nome mesmo depois de deixar a Prefeitura.
Em 1992, Li Guerra foi eleito prefeito de Itabira para o mandato de 1993 a 1996. Segundo a justificativa de projeto da ALMG que mais tarde propôs batizar com seu nome o trecho da rodovia entre Itabira e Santa Maria, foi durante sua gestão que surgiram duas iniciativas apontadas como estratégicas para buscar alternativas à dependência da mineração: a Agência de Desenvolvimento de Itabira, a ADI, e o Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social, o Fundesi. É um ponto importante porque mostra que a homenagem ao nome dele não ficou restrita ao cargo que ocupou, mas ao tipo de agenda que tentou implantar para o futuro do município.
O peso regional de Li Guerra também cresceu nesse período. A mesma justificativa da ALMG registra que ele presidiu a Associação dos Municípios do Médio Piracicaba, a Amepi, em 1996, e a Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais, entre 1993 e 1995. Depois, em 1998, foi eleito deputado federal pelo PDT, cumprindo mandato em defesa de Itabira e da região, segundo o próprio texto legislativo. Anos mais tarde, a lembrança de que ele foi o último deputado federal eleito com base local em Itabira continuou aparecendo no debate político regional.
Li Guerra morreu em 14 de novembro de 2003, em Belo Horizonte. Reportagens de memória da DeFato tratam sua morte como a despedida de um dos nomes mais expressivos da política itabirana, e a própria Assembleia Legislativa registrou moção de pesar pelo falecimento do ex-deputado federal Olímpio Pires Guerra. A permanência do seu nome em diferentes homenagens posteriores mostra que a imagem dele seguiu forte mesmo após sua morte.
É nesse contexto que a Avenida Prefeito Li Guerra passa a fazer sentido. A via não é uma rua discreta ou sem peso urbano. Registros oficiais mostram a avenida no bairro Praia, com condomínios residenciais, instituições públicas e serviços de grande circulação. O Núcleo do Foro Trabalhista de Itabira funciona na Avenida Prefeito Li Guerra, nº 250, e a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher também atende no mesmo eixo viário, no nº 1751. Isso mostra que o nome do ex-prefeito foi incorporado a uma avenida que se tornou referência concreta de moradia, trabalho, justiça e atendimento público na cidade.
A importância da avenida também aparece na rotina urbana. Atas e registros da Câmara mostram pedidos de redutores de velocidade, manutenção de bocas de lobo e até solicitação de guard rail em toda a extensão da Avenida Prefeito Li Guerra, sinal claro de que se trata de uma via de uso intenso. Reportagens e registros recentes também mostram interdições para eventos esportivos e atividades públicas no local, reforçando que a avenida está longe de ser apenas um nome no mapa: ela segue viva no trânsito e no cotidiano da cidade.
Com o passar do tempo, a homenagem ganhou um peso ainda maior porque o nome Li Guerra continuou ligado a uma ideia de liderança pública e de defesa do desenvolvimento local. Em 2021, uma agência do Sicoob em Itabira recebeu o nome Li Guerra em homenagem ao ex-prefeito e ex-deputado, descrito pela cooperativa como exemplo de empreendedorismo e liderança servidora para os itabiranos. Isso reforça uma leitura importante: o nome não ficou restrito à memória política, mas também ao reconhecimento de sua atuação no setor empresarial e comunitário.
Quando alguém pergunta quem foi Li Guerra e por que virou nome de avenida em Itabira, a resposta vai muito além de “um ex-prefeito”. Li Guerra foi o empresário e político Olímpio Pires Guerra, nascido em Santa Maria de Itabira, líder do comércio local, presidente de entidades importantes, prefeito entre 1993 e 1996, deputado federal e nome ligado ao esforço de pensar uma Itabira menos dependente da mineração. A avenida que leva seu nome, no bairro Praia, funciona hoje como uma continuidade dessa presença: uma homenagem permanente a um personagem que marcou a política e o desenvolvimento da cidade.





























































